O Abismo de um Sonho

Análise bastante aos resultados das presidenciais

Marcelo Rebelo de Sousa – 60,7% (2.533.799 votos) – o poder da televisão, a necessidade de sentir alguma estabilidade no meio do Covid e aquela coisa que os portugueses têm de gostar que lhes digam coisas que eles gostam de ouvir.

Ana Gomes – 12,97% (541.345 votos) – a esquerda burguesa urbana, bem instalada e que não percebe que o André Ventura é um anticorpo gerado pelas desigualdades e pelo facto do elevador social estar meio avariado.

André Ventura – 11,9% (496.583 votos) – o poder da televisão, a conversa de café do tuga, o poder do futebol, o descontentamento misturado com ignorância mas também o voto de protesto anti-sistema.

João Ferreira – 4,32% (180.473 votos) – a máquina do PCP a trabalhar, tipo máquina de escrever analógica, terá sempre os votos  garantidos dos mais velhos, mais dos novos que vão às sessões tipo testemunhas de jeová.

Marisa Matias – 3,95% (164.731 votos) – a jovem esquerda burguesa urbana, a ser canibalizada pelo apoio à geringonça, agita o papão da extrema direita e esquece-se das cabo-verdianas que se levantam às cinco da manhã para  limparem escritórios.

Tiago Mayan – 3,22% (134.427 votos) – a falta da televisão, tipo português que quer fazer um exame difícil e estuda de véspera. Chegou tarde, falou bem, mas falou baixo. Poucos o ouviram.

Vitorino Silva – 2,94% (122.734 votos) – aquele estilo António Aleixo que consegue convencer os velhinhos mais cristalizados e os mais novos que querem que o sistema se lixe.

Se somarmos a votação dos três candidatos sublinhados encontramos um número de 753.744 portugueses + 47.041 votos em branco = 800.785 portugueses que estão insatisfeitos e manifestaram o seu descontentamento.

Já nem falo  nos 6.5 milhões inscritos que não foram votar. Desses podemos por bondade retirar 50% que estão em lares, pessoas de idade, emigrantes, etc, etc, mas dá pelo menos ums 3 milhões que nem querem participar.

Assim, a abstenção é um fenómeno global de causas já identificadas.

Agora, temos quase um milhão de pessoas que estão insatisfeitas e que foram votar só para mostrar esse descontentamento.

Anda tudo muito preocupado com a extrema direita e ninguém quer falar do elefante na sala…. A bandalheira a que isto chegou através dos partidos do sistema.

Ou o PS e o PSD mudam ou teremos um partido de extrema direita resultado da deserção das suas estruturas locais para o “CHEGA”  (penso que do CDS isso já estará garantido esse contingente). As próximas eleições autárquicas vão ser o termómetro disso mesmo.

Os partidos do sistema confundem Lei e Ordem e necessidade de segurança com fascismo. Dividem os lugares e deixam de fora a iniciativa privada. Ignoram completamente a iniciativa privada.

Como diria o Luiz Pacheco, amaciando a expressão original: Que se “lixem” !

José Vilhena júnior

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