Partilhe
Do Paradoxo de Schrödinger à física quântica na ciência da comunicação.

Do Paradoxo de Schrödinger à física quântica na ciência da comunicação.

“Dito de outra forma : nada é real até ser observado.”

A “incerteza” de Schrodinger, epistemologicamente diferente da de Heisenberg, diz que pode haver mais que uma resposta correcta para um problema que fisicamente só pode ter uma solução. Schrodinger reequaciona e até confirma o que Heisenberg abordou mais superficialmente, sem consequências claras mas com consequências práticas.

“Existe uma diferença entre uma fotografia tremida ou desfocada e uma foto de nuvens e neblina.” (Erwin Schrödinger).

Não cabe aqui a análise matemática, detenhamo-nos nas consequências do modelo até porque do que quero (ou será de quem quero ? )  falar é de PORTUGAL.

Reporto-me a uma conversa entre David Miller (o físico) e George Steiner em 1969, em Siracusa. Evocando Max Born : “a suprema origem das dificuldades reside no facto de que somos obrigados a usar palavras, uma representação que apela à imaginação”.

Por dever de honestidade (e confissão), sou um admirador e até certo ponto discípulo, de Niels Bohr e muito antes deste, de Giordano Bruno. Um frade Dominicano, um pensador (para mim genial), condenado pela inquisição e queimado vivo em Roma em 1600. Talvez este exemplo, retirado de um livro intitulado “Tonerre, Esprit parfait”, possa trazer aqui uma ideia nova, para uma Nova Ordem. Trata-se de um poema iniciático, atribuído a uma mulher. Mais se não sabe, e quem disser que sabe mente, sobre o livro ou o poema. (novamente, a suprema origem das “dificuldades”, usar palavras).

Je suis épouse et vierge

prostituée et sacrée

inféconde et mère

silence incompréhensible et

pensée au souvenir familier

voix à l’intonation infiniment variée et

verbe à la multiple apparence

ce qui de tous peut être ouï et

parole que nul ne peut capter

épousée et fiancée

mère de mon père et

sœur de mon époux.

Je suis à l’intérieur

ce qui est au-dedans de vous est ce qui est hors de vous

ce que vous voyez hors de vous

c’est au-dedans que vous le voyez.

“Tudo o que passa não é mais que uma imagem (ein Gleichnis)”

– Göethe – Fausto

Passemos da língua de Thot a português. Passemos à ingenuidade em qualquer idioma.

Reduzindo o anterior a uma expressão canónica, não nos damos conta do que se está a passar até nos darmos conta do que se passou. Mesmo tudo aferido a um diferencial de tempo (dt) em que o espaço o dimensiona a par em ds/dt.

Apelando a um poder de síntese que não tenho, não podendo deste fazer exercício,  sintetizaria o não vermos nada porque é aturdida a leitura da realidade. Alguém acredita que existem partidos políticos em Portugal que confrontam programas e ideias ? Alguém da comunicação social se atreve a sair à rua e perguntar ao povo o que pensa deste ou daquele programa eleitoral (seja para que eleição for?) E a seguir reproduzi-lo nas televisões e jornais  e revistas, ou seja lá o que for online ou impresso?

Nunca. O confronto político é manipulado e dirigido por patrões e capatazes. Os escravos cumprem a função obediente. Mas que espécie de confiança nos merecem os representantes dos partidos quando chegam ao micro, pequeno ou grande poder da comunicação? Nenhuma. São todos filhos da mesma ideia, peões de brega sem capacidade de interpretação, discípulos da seita do fundador Adam Weishaupt, pagos para irem para casa com trocos ou com milhões, porque são todos ridículos, todos subordinados. Tão miseravelmente ordinários que destroem ideias, comunidades, países e continentes. Mas todos têm “políticas sociais”.

Estes tipos – no sentido do carácter mas também da personalidade – devem muito à inteligência ou devem ainda mais a credores. São um só tipo. Duma forma ou de outra, andamos a brincar com as palavras, chamamos corrupção em conversa de café ao que é evidente. E a outra conversa? A que não é evidente ? Esta, a outra conversa ?

“É próprio dum engenho não entorpecido passar do ver e ouvir pouco, a poder considerar e compreender muito.”

Giordano Bruno, ano de 1600.

Dito de outra forma : nada é real até ser observado.